Caros amigos leitores, o REVERBERA mudou de endereço!

Agora, ele se encontra no:

 

http://joaoaranha.wordpress.com

 

Por enquanto, manterei este também, mas o novo blog está no endereço citado acima, com o mesmo conteúdo deste, além de novas crônicas e poemas.

Obrigado a todos os visitantes daqui e, agora, de lá!

 

Forte abraço,

João Aranha

Tensão e Leveza

Momentos incertos
Gestos certos
Por vezes perto
Em outras, longe
Palpitar, olhar, falar
Alarde, é de Marte
Menos, é de Vênus
Palpebras semi-cerradas
Janelas pouco fechadas
Retina na retina
Entra, sai, fica
Pára, pensa, indica
Incerteza, delicadeza
Força, natureza
Outra incerteza
Pausa, beleza
Vivo bem
E sempre
Na tensão
E na leveza.

João Aranha

22/09/09

Desfile

Ela veio descendo
Sorridente
Falando no celular
Parecia feliz
Não, ela estava feliz
Via-se pelo andar
Pelos olhos, pelo sorriso que não cabia em si
Descia a rua desfilando, na passarela de calçada
Olhos masculinos a seguiam em silêncio
Ela não se importava, ou se importava, ou nem notara
Mal passou e recebeu aplausos do público que mostrava virilidade infantil
Continuou seu gingado delicado e, de repente, um da mesa do bar solta o seu brado:
Feia!!!
E ela foi embora, toda linda, deixando nós, babacas, rindo felizes.

João Aranha

22/09/09

Vil Tinto

No leve gole
Me leve
Engole
No leve trago
Me traga
Te trago
Na bebida
No suór
Um brinde à vida
No fim da dose
Metamorfose
Desejo ter-te
Ver-te
Flerte
Olhar cerrado
Sexo velado
Nos teus lábios
Teria bebido
O paladar, o almejo
E o que vejo
É proibido
É pró-libido
Não tem razão
Não é finito
Seria cedo
Não sei do medo
Começo de tarde
Coração alarde
Fim do vespertino
Um vinho tinto
Tinto, vermelho
Perfume, cabelo
Desejo, molhado
Tinjo de branco
Tua penugem, minha vertigem
Bebo do teu ensejo
Beijo do teu cortejo
Embriagado na tua tez
E na vez
Sem nunca ter sido
Teria sido torpe
E levemente entorpecido.

João Aranha

31/08/2009

Algo na Augusta

No sobe e desce
Ela cresce
No vai e vem
Ela tem
Fecha, abre
Se mantém
Esquinas de gente
Povo, pessoas
Lugar peculiar
Local sem igual
Sexo, raça
Credo, cor
Todos nela
Riso ou dor
Para lá e para cá
Cruza a Paulista
Sem temor
Arte na rua
Rua da arte
Tem de tudo
Tem de todos
De Sampa
Faz parte
Parte dela muita gente
Parte em dois
Parte nossa
E na bossa
Rock, pop
Tem swing, soul também
Algo nela vibra, causa
E por uma boa causa
Caio dentro
Vou também.

João Aranha

12/08/2009

Rosto ao Vento

Vi seu rosto
Pouco tempo
Pouco pro mundo
Pra mim todo o tempo
Vento sopra em tua face
Barulho do mar
Bicicleta, pedalar
Mais vento a ventar
O rosto delicado
Levanta um sorriso
Breve, suave
Some num instante
Com as rodas e o som cortante
Das pequenas pedras no chão
E das folhas do inverno
E o meu beijo terno
Pouco durou
Não mais vi
Mas senti
O toque lento
De um desejo ao vento
Tímido no toque
Quase criança
Crente que irias ficar
Adoeceu palpitar
Escureceu
A dor não deu
Mas os olhos com brilho
Diziam
Um dia
Quem sabe um dia
Beijo-te
Hoje não
Adeus.

João Aranha

28/07/2009

A caminho da América

Passando pelo antigo município de Odécia, logo mais à frente terá uma entrada para a região dos Vales de Valdelice, pertinho da pacata Jesselina, cidadezinha que fica mais ao norte. Seguindo uns 50 quilômetros já tem saída para um bairro na beira da estrada, no Jardim Marinilze, é só seguir pela rodovia Ronie que já cái no Jardim Mirta, que fica do outro lado. Depois deste último bairro, já voltando para a estrada, você passa pela região Santa, em paralelo ao caminho da Praça de Jesus, que termina na Vila Arildo. Nesse ponto, vire a primeira à direita. No mesmo lado da pista você verá placas indicando para os vilarejos de Eleuza, Campos de Leonilze e Jardim Iria, passe todos eles. Chegando neste ponto após os vilarejos fica mais fácil, é só seguir o Rio Piquerobi, que se inicia perto da Vila Elpídio, cidade vizinha de Gercides. Não pare, continue seguindo a correnteza à sua esquerda e vai! Passe a Vila Alício - um antigo distrito de São Ervando, depois passe por Terras da Herce e vai embora! É um longo caminho, mais uns 60 quilômetros de estrada com uma pista só, mas é tranquila. Siga até o trevo de Odayl, entre no sentido interior-Conceil e siga em frente. Pouco depois, chegando em Águas de Argene, povoado simples - mas repleto de casas coloniais, que fica ao lado de Ilíria - uma cidadezinha também pequenininha, mas muito famosa pelas festas de sua paróquia, é só fazer o retorno para entrar na estradinha tortuosa que leva até o município de Milma, distrito pertencente à Ilha de Idalba desde os tempos do café. A partir daí não tem segredo, é so seguir adiante passando por várias cidades. Passe por Judaiba, Guaraciaba, São Veluziano, Vila Aysete, Chácara Neyson e segue toda a vida por uns 100 quilômetros, mais ou menos. Depois, logo na sequência, você já vai notar a entrada de Terras Enilcéa. Entre e contorne à esquerda, numa entradinha bem pequena, quase não dá pra perceber, mas é logo depois da região do Parque Eulélis que, passando ele, é só pegar a estradinha Domingas e andar mais uns 20 quilômetros de terra batida, coisa pouca. Quase chegando no fim da poeira seca você avista a cachoeira de Ajuricaba. Admire a paisagem, tome um banho por lá e, depois de passá-la, você já cai dentro de Vila Neidja, a penúltima cidade do interior, que tem saída para a via Oraida, estrada bonitona, asfaltada, cercada por árvores e planaltos, mas só por 40 quilômetros. Aí, ao término dela, você chega e já vê, bem de longe, a bela e formosa entrada da América!

Os nomes das cidades citadas nada mais são que apenas os nomes das amigas, amigos e pessoas conhecidas da minha mãe, dona Eglair, que é, sem dúvida, a “cidade” mais bacana de todas. “América” é, no entanto, uma prima da minha mãe, já falecida, mais conhecida por “Meríca” que, junto à “Ninica”, “Maroca” e “Norica”, faziam parte das confusões de nomes nada comuns entre família e amigos. Estas últimas “regiões”, porém, não constam no texto pois não correspondem ao caminho em questão, embora familiares.

João Aranha

18/07/2009

Até aí, tudo bem.

É... o dia estava bom. Bom mesmo, mas nem tanto se for analisar algumas coisas. Pois bem, estava eu a caminhar pelas avenidas paulistanas que tanto gosto e admiro e, às vezes, vem um pequeno stress aqui, outro ali e, assim, caminha a humanidade. No início da tarde, páro (vixi, a nova ortografia me pegou, tem acento aqui?) pra tomar um café numa cafeteria tradicional, dessas bonitinhas, que servem café com petit four (é assim que se escreve?) ao lado da xícara, que quando se mexe muito sempre caem gotas de café e deixam-no ensopado antes mesmo de ser degustado. Até aí, tudo bem, até o dado momento em que esbarrei, acreditem, na xícara e, pronto, uma bela poça de cafeína se fez com desenvoltura na mesa ao lado da xícara mas, por sorte, não veio ao meu colo. Saindo de lá, precisei fazer uns telefonemas atrás de trabalho, então, como meu “Graham Bell”, ou melhor, meu “Graham Cell” estava falecendo devido aos parcos créditos, cada alô seriam uns três créditos ingeridos e eu, nos dois e noventa e sete, puxo o cartão telefônico da carteira para usá-lo nos telefones públicos higienizados (eu acho que eles passam todos os dias só adesivando com a data vigente, enfim...) e introduzo o cartão amigo para efetuar a minha ligação. Até aí, tudo bem, mas quando o insiro no lugar apropriado vem a bela frase em cristal líquido no fundo verde: “cartão recusado”. Como recusado? Recusado por quem? Tem quarenta unidades nele ainda! Mal foi usado! Tento novamente. “Cartão recusado”. Cacete! Tudo bem, não quer? Tem o irmão gêmeo ao lado. Lá vai eu tentar no siamês verde-limão. “Cartão recusado”. Porra! Cadê a câmera? Deveriam estar me filmando para brincadeiras de mau gosto em programas dominicais. O sangue subiu e parti para um terceiro, logo ali na frente. Ufa...foi aceito, porém, com quem eu precisava falar não estava no momento. Paciência. O fato do cartão ser aceito já me deixava mais tranquilo. Ligo outro dia, acontece.

Fui pegar correspondências no apartamento onde morava mas, como usuário de internet procurando emprego precisa entrar ao menos uma vez na rede, lá fui eu adentrar numa lan house. Eu já disse que odeio lan house? Bom, digo agora. Eu odeio lan house. Elas são boas, ajudam a gente quando precisamos, mas sempre tem aquela mocinha que diz: “Você já tem cadastro?” Pessoas queridas, por que fazer cadastro numa lan house se você precisa só de meia hora ou pouco mais que isso num lugar que, provavelmente, você nunca vai voltar? Eu mesmo tenho cadastro pela capital toda e nunca mais voltei. Enfim, lá vai o redator aqui fazer mais um. Fui na máquina de número três. A merda de se conectar em uma lan house é a configuração. Sempre está gigante! Ok, vamos perdoar, existem pessoas que não enxergam bem, mas nós temos frescura, pelo menos eu tenho. Achamos que a máquina vai estar do jeito que a gente usa em casa ou no trabalho, com desktops sensacionais (eu sempre troco os meus, eu enjoo (acertei, não tem acento aqui) rápido e vou trocando por questão de dias, quero todos juntos ao mesmo tempo agora. Enfim, sentado na máquina três, eis que buga! “Olha, está travando. Já aconteceu duas vezes”. E a mocinha: “Tenta na quatro”. Ok. Mudei. Dois minutos depois, buga! “Olha, está travando nessa também”, disse eu, prostituto da vida. “Tenta na cinco. Essas máquinas foram formatadas ontem.” Ok, fui nela, que funcionou, mas o monitor estava descalibrado, ou sei lá o quê, o que resultava numa tela azulada, ou seja, comecei a ter dor de cabeça quando saí de lá, mas até que passou depois que saí.

Andando novamente, pego minhas correspondências. Só contas pra pagar, só contas e avisos bancários, nenhum bilhete premiado ou um bilhete da Letícia Sabatella dizendo que vai me esperar chegar em casa pra jantarmos à luz de velas. Saio de lá, vou comer na padoca (eu adoro padocas). Quase nunca peço salada, hoje resolvi pedir. Não é que veio uma antes e outra junto com o prato? Ah...eu odeio padocas. Mas até aí, tudo bem. Terminei o “jantoço” (jantar + almoço) e resolvi ir ao cinema ver “Anjos e Demônios” com o ingresso que ganhei do meu talentoso amigo ilustrador, o Malusco. Como falei pra ele, não costumo ir à blockbusters, pois prefiro pagar para um filme de gênero que eu gosto, como os europeus, asiáticos, brasileiros, latinos e os independentes americanos mas, achei que seria um bom filme. Fui.

Para ir à bilheteria era preciso subir ao penúltimo piso. Até aí, tudo bem. Já pegou escada rolante parada por algum problema? Pois é. Eu já. E uma das vezes foi neste momento. Ok, fui lá, peguei o meu ingresso na bilheteria depois de esperar numa fila que ia da Santa Cruz até o Jabaquara. Brinquei com essa tosca anedota com a mulher que perguntou se aquela era a fila do cinema e eu acho que ela acreditou, ou não entendeu, ou, com certeza, não achou graça nenhuma. Isso já era umas sete da noite e a sessão era só às nove. Até aí, tudo bem, mas o que eu ia fazer num shopping sem dinheiro e lotado de pessoas circulando, ávidas por consumo? Fui sentar num café, mas a princípio, era pra descansar, pois estava cansado de vir no metrô de pé e ficar na fila. Parei, pensei na vida, na minha vida e na vida de várias pessoas. Gosto de observar as pessoas andando por aí. Uma diferente da outra. Gosto de ficar imaginando o nome delas, a profissão, o que ela gosta ou o que ela odeia. É um ótimo exercício para o cérebro, mesmo que passe longe do acerto, vale a pena. Pois bem, eu precisava recarregar o bilhete único. Lá vai o João andar novamente. A fila desta vez estava uma delícia! Ia da Santa Cruz até o Tucuruvi. Até aí, tudo bem. Recarreguei e fui comprar uma casquinha de sorvete. Pois é, EU NUNCA TOMO SORVETE. Gosto muito, mas não tenho o hábito, nem no verão, mas resolvi comprar. Quando chega a minha vez, só tinha um cara na minha frente (essa filinha era modesta, ia da Santa Cruz até a Ana Rosa). Eis que ouço a mocinha: “Ai gente...o caixa travou! Não tem como vender”. Eu indaguei, brincando (mas já estava meretrizo da vida): “Você não pode anotar a venda separado? Seria com dinheiro”. E ela, aflita e simpática: “Não dá! O gerente prefere que eu pare de vender do que vender separado”. “E não tem como mesmo?” - continuei. “Só no segundo piso está funcionando. Se eu tivesse o cartão pra passar o código funcionaria, mas só com o gerente.” E eles não te dão o cartão?” - disse eu. “Não.” Eu novamente: “E não tem como chamar o gerente por esse telefone aí?” E ela sorridente: “Está quebrado!”. E eu, sorrindo feliz: “Ah tá...o caixa está quebrado, o telefone está quebrado e eu estou quebrado! Então está tudo bem!” Eis que ela grita: “Ah...voltou!” Ufa, durou pouco. Comprei a tal casquinha. Saio de lá e vou tomar um café, mas pedi uma água antes, pois tenho o hábito (não sempre) de tomar água antes do café. Pedi: “Um espresso e uma água. Mas, por favor, me vê a água antes. Depois eu peço o café.” E o atendente: “Tudo bem.” Olha que maravilha! Ele trouxe os dois juntos! Fora a aguinha com gás que vinha junto. Mas ate aí, tudo bem. De tanta água, vou ao banheiro. Após urinar rapidamente, lavo minhas mãos e...o papel acaba! Por sorte tinha outro do outro lado. O sangue começava a subir, mas até aí, tudo bem. Vou subir, pro cinema.

Quando entro é aquela maravilha! Turmas gigantescas enfileiradas guardando lugar pra alguém que sempre vem bem depois carregando combos gigantescos de guloseimas, açúcares, refrigerantes, pipocas e outras merdas. Sentei, quieto, no canto, na penúltima antes do corredor. Quando vi, não tinha o braço esquerdo de apoio. Olhei e notei que ele estava levantado para trás. Puxei para frente e, ao tocar no braço, senti meus dedos se lambuzarem deliciosamente. Que delícia! Mas até aí, tudo bem. Eis que vem um casal. “Fulana, tem mais lugar aí?” Os falatórios em voz alta aumentavam e se misturavam. E eu, com o meu saco em Júpiter, dei licença. “Não, não precisa” - disse o casal simpático recheado de moletons e combos. “Não, sentem aí, eu vou pra frente”. Eu sou educado. Stressado, mas muito educado. Fui pra frente, porém, ao descer, bati minha canela na poltrona. Quase mandei todos às putas que os pariram, mas fiquei quietinho, xingando em silêncio. Estou no meu humilde lugar e vem uma mulher, típica das que gostam da fonte Comic Sans, que consideram inovadora, sabe? Ela entra e o namorado, também Comic Sans, recebe as guloseimas trazidas com carinho pela parceira, olha que lindo! Ela trouxe um sorvetinho na caixinha, que fofo! Além da pequena caixa, trouxe um refrigerantezinho, uma pipoquinha e o meu mal humor embrulhadinho. As pessoas não paravam de falar. Por que isso ocorre, meu Deus? Por quê? Viva o Espaço Unibanco! Viva o Belas Artes! Viva o Bombril, Bourbon, Reserva e Arteplex! Lá não tem barulho, não tem nhoc-nhoc no ouvido, não tem sujeira e, melhor, só tem filme bom. Aí começa o filme, mas, durante alguns momentos, gritaram lá de cima: “Shhhhiiiii... Silêncio!” É...gritaram mesmo, e não fui eu, hein?

O filme acaba. Saio do cinema, pego o metrô e, tarde da noite, já perto de casa, avisto um ser meio suspeito andando em minha direção. Ao virar a esquina, dou uma leve corrida até em casa, saindo na frente do ser suspeito para que ele não me alcançasse, pois era muito suspeito. Chego em casa num frio de 17 graus suando como no verão de Salvador. Mas até aí, tudo bem. Pelo menos acho que o meu dia acabou.

Ah...sobre o filme? É bom. Eu gostei. Tem clichês à beça, mas eu gostei. Mas isso eu falo da próxima vez.

E até aqui, tudo bem.

João Aranha

07/07/2009

Levaram minha sacada!

Caminhava pela rua, voltando da agência tarde da noite por causa de uma concorrência grande que poderíamos ganhar. Estava exausto, mas ainda estava com a cabeça cheia de idéias por causa do grande job que poderia me projetar no mercado publicitário e, quem sabe, talvez, poderia ganhar um pequeno prêmio em Cannes, não? Mas, tudo bem, amanhã seria outro dia e, assim, eu colocaria em prática as sacadas que tive e que o Diretor de Criação tinha elogiado. Fui ao ponto de ônibus e, quando vi, estava sozinho. Mal percebi quando chegou um cara, do nada, que aparece assim, igual desenho animado, sem avisar, e coloca uma arma na minha cabeça e grita:
- Aí, rapá, é um assalto! Tô ligado que cê tem coisa pra me passar, né não? Pode passando suas idéia aí, playboy. Anda, passa logo, vamo! Quero suas idéia, rapá!
- Cara, na boa, eu só tenho algumas idéias só, nada muito bom pra você levar, por favor, leva o relógio, mas deixa as minhas idéias comigo, por favor... Eu trabalho com isso, por favor, alivia, cara...
- Não quero saber, vai passando. O que cê tem aí? Vai, anda, muleque workaholic de merda!
- Cara, na boa, eu só tenho uns banners aqui, um e-mail marketing corporativo bem chatinho, um viralzinho meio fraco, só isso...
- Passa! Passa tudo! Anda, playboy!!! Isso. Assim...dá aqui...
- Tó, pode pegar.
- Cara... puta idéia fraca do caralho, hein? Tá ruim, hein mermão? Aí...tu tem campanha aí? Quero conceito, mano. Conceito, porra!!! Campanha forte! Se cê tiver e não mostrar eu viro o leão que você não quer ganhar, truta. Mostra aí! Rápido!
Nesse momento, me abaixei e tirei a campanha escondida da meia, era a minha melhor idéia, a que eu tinha em mãos! Merda! A melhor sacada que eu tive e ia entregar assim, pra esse filho da puta levar sem nem ter lido o briefing, sem nem ter feito uns dez minutos de brainstorm? Porra!!! O cara veio sozinho, do nada, ainda sem dupla e ia levar a minha melhor idéia, caralho...
- Aê, bacana... isso, assim que eu gosto. Tu é redator ou diretor de arte?
- Redator...
- É, logo vi que os título do baguio era mó loco. Puta conceito, hein truta? Aí...seguinte...vai na boa, hein? É nóis, maluco! Olha lá, hein? Sigilo, mermão! Fica na surdina, beleza? Mas tu saca, né? Mercado tá foda e frilar não tá enchendo barriga de ninguém em casa, saca? Então, quietinho aí, certo mano? Falou aí, redatorzinho... Abraço, criativinho mó estilinho!
Puta merda, o filho da puta levou tudo que eu tinha. Minha melhor sacada, caralho! Só fiquei com essa merda de slogan de padoca amassado no meu bolso. Merda!!! E agora? E amanhã? Como eu vou fazer? Ah meu, vou dar queixa na delegacia agora mesmo. Pelo menos eu salvo alguma coisa pro portfólio.
- Boa noite. Eu vim fazer uma queixa.
- Que houve, rapaz?
- Fui assaltado.
- É? E levaram o quê?
- Era um cara só... Levou minhas idéias, umas não tinham valor, uns roughs, mas tinha uma que era uma puta idéia, uma puta campanha que eu teria que mostrar amanhã na agência...
- Vixi... Olha, meu caro, essas idéias aí que você falou, tá cheio de neguinho roubando pra lá e pra cá, isso acontece direto. Esse mercado tá perigoso, principalmente de noite. Não dá mais pra andar por aí sossegado. Não pode vacilar. Mas, olha, te aviso de antemão, essas idéias fracas aí o cara já deve ter gasto pra comprar droga. Agora...essa campanha aí, não sei não...já deve ter repassado pra nego grande aí, sabe como é, né?
- Poxa, mas não tem como vocês fazerem uma busca?
- Busca? Que busca, rapaz? Tá achando que isso aqui é Google?
- Porra! E como eu vou falar com o VP amanhã? Como vou fazer assim...sem nada???
- Diz aí...como era essa campanha?
- Ah...completa.
- Puta que o pariu! Deve ter sido cara, hein?
- Bota cara nisso! Anúncio sequencial em revista com acetato, faca especial, jingle, filme de um minuto em horário nobre, guerrilha pela cidade toda, site fodão com interatividade, ação na Paulista, brinde em cinema e um viral no YouTube que ia rodar mais que o Vanucci bêbado, Tapa na Pantera e Bruno Aleixo juntos...
- Xiii...Tá fodido...conceito forte?
- Sim...era revitalização de marca.
- Hmmm... Cara, vou fazer o B.O. aqui mas, olha, vou te avisando, na boa, vai demorar, ok? Ou, se bobear, a gente nem encontra mais, porque esses caras pegam a idéia, correm lá, adulteram tudo na ficha técnica e aí...mermão...um abraço. Nada temos a fazer...
- Bom, faz aí, seu delegado, por favor. Pelo menos eu tenho uma desculpa amanhã no trampo. Acho que serve como atestado, não?

João Aranha

18/07/2008

A hora é agora!

Não sei dizer o porquê, mas tem horas que as horas somem. Fico horas a esperar elas chegarem e, quando chegam, em questão de uma hora, várias foram embora. Hora, pra que te quero? Pra ter-te mais, pra curtir-te mais, pra aproveitar as horas cheias, cheio de coisas cheias. Coisas que levam horas pra fazer, que ora é proveitoso, ora é perdido.

E no balanço das horas, uma hora elas acabam. Oro para que eu tenha mais de ti, para que não perca a hora. Afinal, se oras várias horas pelas horas, não aproveitas e perde-as. Oras bolas, se tudo tem sua hora, então espere, oras. Uma hora ela chega.

Escrevi essa bobagem em um sexto de hora.

Por hora, é isso.

João Aranha

22/06/2009

Friozinho

Frio que vem da manhã
Que acalenta a alma
Que aquece
Que acalma
Que sente a brisa gelada
Na face alva
Levemente ruborizada pela época
Flor que cai no vespertino
E no olhar do pássaro inquieto
Que se cobre pelas penas
Ainda fortes contra o vento
Céu azul de ar gelado
E do meu lado, outra folha cai
O frio não sai
Vem, fica e traz o Sol
Aquecendo o corpo quente
E na gente
A gente sente
Esse frio querido
Um bom amigo
O Sol abaixa, fica laranja
Bate o reflexo nos olhos baixos
Hora mágica que pede poesia
E no gostoso fim de tarde
Um bolo de fubá, um café preto
Uma prosa sem pretensão
Na varanda, na cidade, no sertão
Vem friozinho, some não
Faz teu ofício
Traz tua neve pro Sol trabalhar
Mostra na pele o Sol brilhar
Fica paisagem da folha seca
Na poesia do campo
Nos prédios, no altar
Morro grande, sereno forte
E se tenho sorte
Volto a te encontrar.

João Aranha

15/06/2009

Esquina

Direita, esquerda e reto
Pessoas, carros, motos, ônibus e cachorros
Jovens, velhos, crianças e adultos
Verde, amarelo e vermelho
Brancos, negros, pardos e amarelos
Param, seguem, andam, voltam e ficam
Água, refrigerante, chá, café e cerveja
Luzes e escuridão
Verão e inverno
Música, barulho, ruído e silêncio
Trabalho, escola, compras, cursos e passeio
Eu, tu, ele, nós, vós e eles
Nada, pouco, muito e tudo
Aqui, lá e acolá
Na mesma esquina.

João Aranha

05/06/2009

Seu sonho

Nunca abandone o seu sonho. Sonhe com ele, sonhe muito, sonhe sempre. O sonho é a nossa meta, nossa seta, nossa conduta. Disputa, lute, brigue por ele, mesmo sendo árduo, difícil ou até parecendo impossível, mas não se esqueça dele. Ele, o seu sonho, é como sua refeição, você precisa dele para te manter em pé, firme e forte. Tem momentos que você deixa ele de lado, tudo bem, é normal, mas deixe ele na mesa de cabeceira para, quando for sair de casa, levar ele consigo. E quando for adormecer, deixe ele ao seu lado para que ele possa também descansar e acordar melhor no outro dia, junto a você, lado a lado. Dê um tempo para o seu sonho, reflita, pense, repense, renove, inove, incremente, acrescente, sustente, mude, mas não se esqueça dele. É ele que mantém você acordado, revigorado e, o mais importante, é ele que mantém você vivo. Viva por ele, viva com ele, pois um homem sem sonho é igual ao nada: a vida passa e passada fica. Como para morrer basta estar vivo, para sonhar basta estar acordado, levantar e correr atrás. Você pode até não conseguir realizar o seu sonho, pode abandonar um monte de coisas boas em troca dele, então, já que é assim, abandone os seus erros, os seus medos e as suas frustrações, mas nunca, nunca abandone o seu sonho.

João Aranha

05/06/2009

Hoje, dia 30 de maio, o REVERBERA comemora 3 anos de vida!!! Obrigado aos leitores cativos e visitantes que contribuem para que ele ainda esteja vivo. Obrigado pelo apoio e comentários de sempre. E, aproveitando, mais um textinho para o aniversário do blog.

Telemarketing mais rápido do mundo 2

- Alô?
- Bom dia! Com quem eu falo?
- João.
- Senhor João, estamos com uma nova promoção de canais da Net...O senhor tem interesse?
- Olha...no momento não. Eu nem tenho televisão.
- Ah...e mês que vem?
- Também não.
- Obrigada.

Tututututu...

João Aranha

30/05/2009

Tem vezes que eu te olho

Tem vezes que eu te olho
E o meu coração bate
Tem vezes que eu te olho
E o meu peito arde
Tem vezes que eu te olho
E minha alma se parte
Mas tem vezes que eu te olho
E não bate meu coração
Não arde meu peito
E nem se parte a minha alma
Pois é
Tem vezes que acontece isso
Tem vezes que nem isso acontece
Tem vezes que é isso
Acontece.

João Aranha

04/05/09

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